Resolvi começar o ano fazendo um post um pouco diferente, porém, ao invés de escolher uma startup brasileira para analisar o modelo de negócio dela, como sempre fiz nos posts, escolhi uma startup israelense para mostrar o potencial que um modelo de negócios bem feito pode ter, a Better Place.

Vou contextualizar um pouco antes, na indústria de carros elétricos existem 3 grandes problemas que as empresas tentam solucionar a um tempo, porém sem sucesso, e esses 3 problemas são devido as baterias existentes porque elas são:

  • Muito caras, o que torna os preços dos carros elétricos praticamente inviáveis;
  • Baixa autonomia, os carros com essas baterias não conseguem autonomias muito maiores do que 100 km;
  • Tempo de recarga é muito longo (muitas horas), o que torna inviável que uma passe num posto e a carregue como gasolina;

Esses tem sido problemas que a anos inviabilizam os carros elétricos e, por esse motivo, as empresas de automóveis estavam focando no desenvolvimento de carros híbridos, ou seja, que possuem tanto um motor elétrico como um a combustão para poder contornar esses problemas problemas.

Entretanto, os carros híbridos não solucionam o problema, continuam usando combustíveis fósseis e sendo muito ineficiêntes, comparando com os carros elétricos.

Você deve estar se pergutando o que essa startup Better Place tem a ver com isso? Será que ela conseguiu desenvolver um novo tipo de bateria que aumenta a autonomia, reduz o tempo de recarga e ainda é mais barata? Difícil de acreditar que uma startup pequena consiga sozinha um desenvolvimento tão incrível assim, que nem as grandes empresas do setor não chegaram perto.

Então aonde ela entra nessa história? Simples, ela desenvolveu um modelo de negócios que consegue contornar todos esses problemas sem a necessidade de um desenvolvimento de um produto inovador. Ou seja, ela inovou no modelo de negócios.

O empreendedor israelense Shai Agassi, largou uma promissora carreira na empresa SAP para lançar um ambicioso projeto chamado Better Place em 2007. A ideia desse projeto surgiu quando ele participou, em 2005, do Fórum Econômico Mundial e onde ele ouviu a seguinte pergunta de um palestrante: “How do you make the world a better place by 2020?”.

Daquele dia em diante, ele começou a pensar em como fazer a sociedade livre dos combustíveis fósseis. Começou a estudar porque os carros elétricos não deram certo e,  desses estudos, surgiu a ideia da Better Place. Ao analisar aqueles 3 problemas, ele pensou em soluções que pudessem contorná-los:

  • Preço alto das baterias: E se as pessoas pagassem pelo uso delas, ao invés de comprarem a bateria, as baterias poderiam ser da Better Place e as pessoas pagariam apenas pelo uso delas, diluindo o custo total ao longo da vida útil da bateria (que é suficientemente longo);
  • Baixa autonomia das baterias: Seria necessário criar uma rede de pontos de recarga pelas cidades para que as pessoas pudesse andar sem se preocupar em ter que carregar;
  • Tempo de recarga muito longo das baterias: Como a bateria não seria das pessoas, a Better Place poderia simplesmente trocar as baterias vazias por baterias cheias, reduzindo o tempo de “recarga” para o tempo de troca das baterias que leva 5 min. Além de instalar pontos de recarga na casa dos usuários e no trabalho para poderem diminuir a necessidade de troca de baterias;

De uma maneira relativamente simples, ele conseguiu contornar esses problemas até então sem soluções, apenas entendendo as limitações das tecnologias atuais e inovando no modelo de negócios.

Obviamente isso não tornou a vida da Better Place fácil, pois esse modelo de negócios trouxe outros problemas, porém não tecnológicos, como a criação da estações de troca de baterias, a construção da rede de pontos de recarga, construção de um carro que otimizasse o processo de troca de bateria e dinheiro para financiar toda a infra-estrutura e as baterias.

Para resolver esses problemas foram necessários parceiros chave como:

  • A Renault que adaptou o modelo Fluence para esse projeto, se comprometendo a fabricar 100.000 unidades para a implementação inicial;
  • Governos de Isral, Califórnia e Dinamarca que abraçaram o projeto e ajudaram na construção da rede de pontos de recarga para um piloto do projeto;
  • Empresa de energia elétrica local, que necessitam utilizar um software Smart Grid desenvolvido pela Better Place para diminuir os problemas na rede devido ao grande consumo das recarga dos carros;
  • Investidores para financiar a estrutura necessária;
  • Empresa de baterias de lítio para desenvolverem uma bateria especifica para as necessidades da Better Place e para garantir o fornecimento;

Esse é um ótimo exemplo de modelo de negócios bem feito, onde os blocos são importantes e a relação entre eles também. Abaixo segue o modelo canvas da Better Place:

 

Essa é uma solução ótima para os usuários, pois eles não mais precisam pagar caro pela bateria (o preço do carro fica equivalente ou até mais barato que carros com motores a combustão) e pode até reduzir o gasto com combustível, além de garantir a sustentabilidade do planeta.

Abaixo assista a um vídeo apresentando a Better Place:

 

 

A Better Place ainda está testando seu modelo, até agora com sucesso, mas esse ano de 2012 será seu verdadeiro teste.

Mesmo que ela não consiga ter o resultado esperado, elas deixa uma importante mensagem, que temos que pensar nos problemas de formas diferentes e que uma simples mudança no modelo de negócios pode contornar todo um problema tecnológico e econômico.

Bom, espero que esse exemplo inspire a todos vocês a serem mais criativos e a pensar no modelo de negócios como uma forma de viabilizar um negócio e não apenas como a forma da empresa de ganhar dinheiro.

 

HAPPY NEWS YEAR AND LET’S HOPE FOR A BETTER PLACE FOR ALL OF US.

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5 comentários sobre “Modelo de Negócios – Better Place

  1. Oi Thiago, acompanho o blog há algum tempo mas não tive a oportunidade de comentar até então.

    O que mais me deixou impressionado nesse modelo foi como a simplificação do problema pode ter gerado uma solução tão simples e prática. Ao invés de se consumir mais alguns anos para evoluir uma área que é tão problemática para várias industrias como é o caso das baterias, o pessoal da Batter Place simplesmente encontrou uma solução simples e prática que, com o apoio que obteve, pode acelerar o uso de carros elétricos pelas pessoas e de quebra baratear os mesmos. Parabéns para eles!

    Só uma pergunta, que software você usa para produzir o BMC?

    1. Oi Jerfferson, fico grato pelo comentário e espero que esse seja o primeiro de muitos.

      Esse exemplo de modelo de negócios da Better Place, com certeza, foi um dois mais interessantes que eu já vi. Eu, particularmente, estou torcendo muito para que esse modelo funcione pois sou um grande apoiador dos carros elétricos.

      Quanto ao software que eu uso para fazer os BMC, eu uso o Power Point mesmo, pois ele me dá mais liberdade para fazer do jeito que quero o canvas e eu tenho um bom conhecimento da ferramenta. Porém, caso você tenha um iPad, existe um aplicativo oficial do BMC que é o Business Model Toolbox
      (http://www.businessmodelgeneration.com/toolbox) que é muito bom. Ele é um pouco caro, custa 30 dólares, mas com certeza ele vai valer a pena.

      O pessoal do BMG também estão trabalhando numa versão Web, porém ainda não tem data para ser lançada.

      Eu recomendo utilizar a ferramenta que você tem mais intimidade, pois o importante mesmo é o trabalho de desenvolvimento do canvas, eu sempre uso uma folha A3 e post-its para fazer o desenvolvimento e só depois eu passo para o Power Point. Faça uns testes e descubra o que é melhor para você e depois eu gostaria de saber qual ele é!

      Abraços

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