Eu resolvi fazer algo diferente nesse post e não falar de um  modelos de negócios de uma startup específica e sim  de um tema que muito está me interessando agora, as copycats. Semana passada eu tive uma conversa muito boa com o Horácio Poblete da LedFace sobre o assunto e resolvi colocar no meu blog a minha posição sobre o assunto, sei que vão me interpretar mal, mas leiam esse post inteiro antes de tomarem suas conclusões.

Primeiro, deixe-me explicar o que são copycats.

Dentro do mundo das startups , são chamadas de copycats as startups que copiam modelos de negócios que já foram testados e validados em outros países (normalmente EUA e Europa) para atuar em mercados onde ainda não existem tais modelos.

Resumindo, são startups que copiam o modelo de negócios de startups de sucesso em “países desenvolvidos” e levam para países “menos desenvolvidos”.

O que há de errado com isso?

As startups inovadoras reclamam que isso as desmotiva a inovarem pois elas correm riscos e se forem bem sucedidas alguma outra startup pode copiá-la facilmente, pois não existe uma forma de proteção intelectual para isso.

Aqui no Brasil, especificamente, as startups inovadoras reclamam que os investidores apenas investem em copycats e, por isso, elas não conseguem investimentos.

E, praticamente todo mundo fala, que as copycats não criam valor e nem inovação no país.

Eu concordo apenas em alguns pontos que foram ditos, entretanto eu tenho uma visão um pouco diferente e mais pragmatica das coisas.

Primeiro, modelos de negócios não são tão facilmente copiáveis como as pessoas pensam, vejam o caso dos sites de compras coletivas. É um modelo simples e sem quase necessidade de desenvolvimento para se ter o site (inclusive você consegue comprar o site pronto) e depois é só ter uma equipe para fechar os acordos e divulgar, aí é só esperar para ficar rico, certo?

Não foi exatamente assim que aconteceu! Depois de ter um boom de sites de compras coletivas no ano passado, onde chegou a ter mais de 2500 sites, esse número caiu para 850 e continua caindo. Sendo que desses 850, os dez maiores possuem mais de 75% do mercado. Veja um post recente sobre o assunto.

Mas afinal de contas, o que aconteceu?

O Alexander Osterwalder, autor do livro Business Model Generation  guru de modelos de negócios, fala o seguinte:

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“Criar um modelo de negócios é literalmente uma arte onde você combina pedaços para um coerente e lucrativo todo.”

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Ou seja, o modelo de negócios só vai funcionar bem se você tiver todos os blocos do canvas (para quem não conhece o canvas, apresentação do canvas) operando de forma harmonioza, o que é extremamente difícil de se fazer, o que garante um bom diferencial competitivo para quem criou e realmente conhece o modelo.

Ou seja, não é tão fácil copiar um modelo de negócios quanto as pessoas pensam que é (pergunte para o Alex e o Júlio do Peixe Urbano se foi tranquilo pegar o modelo do Groupon, trazer para cá e serem bem sucedidos, pode ter certeza que não foi, eles trabalharam tanto quanto qualquer outra startup inovadora).

Outro guru das startup, o autor do Lean Startup Eric Ries, fala o seguinte:

“Apenas 5% do empreendedorismo é a grande idéia, o modelo de negócios, a elaboração da estratégias no quadro e a divisão dos lucros. Os outros 95% é o trabalho arduo que é medido pela contabilidade inovadora: as decisões de priorização de produtos, decidindo quais os clientes segmentar ou ouvir, e ter a coragem de colocar uma grande visão para teste e constantes feedbacks.”

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Outro ponto que eu gosto de evidenciar é que copycats não apenas copiam, elas também inovam! Existe um termo muito comum na engenharia que é o da tropicalização, quando países como o Brasil pegam uma tecnologia de fora e trazem para cá apenas adaptando as condições ambientais e sociais, o que é extremamente comum na indústria automotiva, por exemplo.

Porém isso não é nem de longe tão simples para uma startup, pois tudo muda e você tem que adaptar muito mais do que imagina, dessa forma, você não conseguirá copiar tanto quanto gostaria e terá que inovar em diversas partes para conseguir ser bem sucedido.

São raros os casos que realmente se copia tudo, modelo de negócios, estratégia de marketing, canais de distribuição, segmento de cliente e assim por diante. Um exemplo de empresa que faz isso são as startups incubadas pela Rocket Internet, não vou entrar no mérito ou não deles, mas eles são uma exceção à regra.

O mais comum são empresas como o Peixe Urbano, a Baby e a We.do.logos que usam como referências startups de sucesso lá fora, copiam o modelo mas não ficam preso a eles, inclusive inovando dentro desse mesmo modelo.

Um exemplo, é o da Baby que lançou recentemente um clube de compras voltado para mães, crianças e bebês, a Dinda, inovando e se diferenciando.

Com isso, eu já mostrei para vocês a dificuldade de se copiar um modelo de negócios e as copycats também podem e precisam inovar, mas e para o ecosisstema, será que as copycats realmente “roubam” todo o investimento das startups que de fato estão fazendo algo inovador?

Precisamos levar em conta que o ambiente de startup brasileiro ainda está amadurecendo e que os investidores ainda são pouco profissionais e experientes nesse meio. O que isso quer dizer? Que eles ainda não conhecem muito como funciona investir numa startup, não conhecem os riscos, os potenciais e nem a melhor forma de auxiliar esses empreendedores.

Atualmente existe muitos executivos ou empreendedores da indústria clássica (imóveis, agricultura…) que ganharam muito dinheiro e querem investir em startups pelo hype gerado, principalmente depois do IPO do Facebook e da compra do Instagram pelo próprio Facebook pela bagatela de US$ 1 bilhão. Esses investidores estão acostumados a investir em mercados menos arriscados que o de startups e investir em copycats ou e-commerce (modelo que vem funcionando e crescendo fortemente no país) é uma forma de mitigar riscos, pois eles não estão acostumados a investir em startups e não querem correr tanto risco assim.

Por outro lado, quanto mais eles investirem em copycats, mais eles vão aprender sobre o ecossistema e menos medo eles terão em investir em startups realmente inovadoras, além disso, as copycats tem uma tendência de ter um “sucesso” mais rápido de startups inovadoras que ainda precisam encontrar um modelo de negócios repetitível e escalável antes de darem retorno.

É claro que existem os investidores que realmente acreditam numa inovação e investem nela mesmo com todos os riscos e não conhecendo muito bem o mercado, mas eles são uma pequena parcela e é muito difícil de encontrá-los , se você é uma startup inovadora, eu tenho certeza que você sabe disso.

Meu ponto é que as copycats fazem parte de uma evolução do ecossistema de startups, elas ajudam no desenvolvimento dos investidores e até dos próprios empreendedores, que aprenderão como criar uma startup e podem arriscar um pouco mais da próxima vez. Inclusive, caso dê certo a copycats deles, eles podem se tornar investidores que realmente conhecem as startups e dispostos a investir em projeto inovadores.

Os investidores mais conservadores, que investem em startups copycats porque são menos arriscados, não necessariamente investiriam numa startup totalmente inovadora e com muitos riscos.

Dessa forma, eu não vejo as copycats como um mal, vejo elas como mais um componente desse complexo ecossistema e que possui um papel importante, entretanto esse papel deve perder força ao longo do desenvolvimento dele.

O Peter Thiel, investidor e fundador do Paypal, afirmou que startups dos mercados emergentes deveriam apenas copiar as inovações dos mercados desenvolvidos num debate que ele teve com o Eric Schmidt, presidente do Google (recomendo ver o debate). Se eu concordo com isso?

Definitivamente não, acredito que a cópia faz parte do processo de desenvolvimento de um mercado, podemos ver os casos Japão, Coréia e a China que passaram por esse processo no mercado tecnológico e hoje são potencias tecnológicas, mas que investiram em inovação ao longo desse trajeto. Os brasileiros são extremamente inovadores e acredito que em breve teremos startups inovadoras sendo copiadas, inclusive no Vale do Silício, porém esse é um processo e que podemos até acelerar mas não pular.

Todas as partes irão se encaixar com o tempo, se a sua startup é inovadora e você está com dificuldade para levar a diante, não desanime, você tem um importante papel de desbravador e irá facilitar que outras sigam o seu caminho.

Finalizo esse post com uma frase célebre frase do grande Sir Isaac Newsto:

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“Se consegui ver mais longe, foi porque estive apoiado em ombros de gigantes”

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5 comentários sobre “As copycats brasileiras

  1. Prezado Thiago Paiva, eu acredito que temos que ver a situação das novas startups de paises emergentes ou não como uma STARUP.
    O penso de onde ela esta não importa em um mundo globalizado e hiperlinkado como o atual.
    Quem tem um startup padrão copycat, vai pagar além do mico, amargar o resultado do mercado.
    Acredito que a visão tenha que ser mais de cima, pois veja:
    *Depois de oferecido uma milha para as startups do concurso Fiesp x Anjos do Brasil , 804 ou 904 projetos se inscreveram!
    Olha o potencial que tem esse negócio no Brasil e no mundo atual onde em negócio de TI nem começaram a existir ainda! Imenso!
    A não ser que o primeiro lugar levou sete pilas e o segundo cinco e o terceiro tres, … tivemos uma situação interessante!
    O primeiro colocado não foi a startup ancorada pelo banco de anjos, que tem 3% da população mundial como cliente e uma patente depositada, não foi o ganhador da startup do chile, que veio de lá com o modelo desenvolvido e papou com uma empresa já ativa para descontos em compras coletivas, com uma mecânica bem diferenciada de uso e bem fácil de se cadastrar tanto o consumidor quanto a empresa fornecedora de bens ou serviços.
    O Segundo foi sim uma copy onde a tampa da garrafa de agua possa ser trocada por outra que você compra da empresa segunda colocada e ao instalá-la na garrafa, aperta-se um dispositivo e o pó, para isotônico, suco , remédio ou outro entra para mix com a agua. Legal, mas é uma bela copy de outras idéias, mas boa hem!
    E o terceiro é uma caneta orgância que precisa de investimentos para ir ao mercado maior, empresa estabelecida onde você pode plantar a caneta depois que ela serve de adubo pois é de base de milho!
    O que ficou ou seja: MORAL DA HISTÓRIA!!!

    Quem não tem competência não se estabelece!!!

    A meleca do Windows e que o Bill não me ouça, nem de longe era o melhor sistema operacional do mercado na época, mas o cara tem olhas de lince, para não parafrasear a águia, e modelou bem e convenceu o mercado que ele era o melhor e olha ai o resultado.

    Vejo então pelo mercado essa situação, as startups vão para o mercado se a modelagem convercer e se a resistência deles forem de um resiliência altissima.

    Eu tenho e treino as empresa ancoradas por nós para ter uma resiliência máxima pois esperar o dinheiro do retorno das vendas, que é o objetivo final de todos nós, não é mole não!!!

    Acredito que o mercado vai sufocar toda copycat que não surpreender e suplantar o mercado com a velocidade de águia necessária a toda startup, startup copycat, ainda mais, assim acho que fica mais dificil de o mercado as absorver!!!

    É um pensamento!!!

    Valeu a oportunidade!

    Banco de Anjos

    Ambiente Âncora de Projeto para Investidores Anjos

    1. Interessante a experiência que você colocou e eu concordo que é preciso ter competência, seja numa copycat ou numa startup inovadora, você vai ter que ralar do mesmo jeito e ser bom para fazer sucesso.

      Quanto ao exemplo do Windows, ele ganhou porque ele tinha o melhor modelo de negócios, não o melhor produto, o Bill Gates tinha uma excelente visão do modelo inteiro e conseguiu fazer um modelo vencedor.

      E é verdade o que você colocou, toda a copycat terá uma cobrança maior do que as outras startups, pois os investidores colocaram dinheiro nela por elas terem menores riscos e potencial de retorno mais rápido.

      A copycats, hoje, são interessantes aqui no Brasil, copycat no Vale do Silício é quase um crime, então isso deve mudar ao longo do tempo.

      E eu vou estar de olho para observar essas mudanças! 😉

  2. Interessantíssimo este post!

    Por que 90% das startups (nos EUA!) fracassam? Equipe muito nova e falta de conhecimento. E olha que eles estão nos EUA!

    E no Brasil? Aposto que a porcentagem é maior. Por isso, a decisão mais sensata é ser uma copycat. Já passei por 2 startups inovadoras e agora estamos com uma copycat. Decidimos começar com algo muito simples. E os frutos são incríveis; os pequenos sucessos são o fundamento para sucessos maiores.

    Há seis meses atrás afirmava com afinco: “Tem que ser inovador, copiar é coisa pra perdedor!” Perdedor era eu que, além disto, era ignorante. O buraco é bem mais embaixo.

    Mesmo sendo copycat o trabalho é muito extenso porque além de você ter que modelar o negócio inovador no Brasil você terá que convencer os clientes que sua solução tem valor. Certamente copycat não significa CTRL+C CTRL+V.

    Achei interessante também o paralelo com a estratégia japonesa de primeiro copiar a tecnologia já existente para depois inovar. Muito relevante esta comparação!

    Apostaria muito forte em uma startup inovadora que já obteve sucesso com uma copycat!

  3. Ótimo artigo Thiago Paiva,
    Concordo com seu ponto de vista, vejo copycats não como “copiadoras” mas sim inovadoras de um serviço ou produto já existente, do meu ponto de visto, se você adiciona funções viáveis de rentabilidade a um produto ou serviço você está inovando e não copiando. Grandes startups brasileiras partiram do mesmo princípio e estão obtendo grande sucesso.

    “Precisamos levar em conta que o ambiente de startup brasileiro ainda está amadurecendo e que os investidores ainda são pouco profissionais e experientes nesse meio. O que isso quer dizer? Que eles ainda não conhecem muito como funciona investir numa startup, não conhecem os riscos, os potenciais e nem a melhor forma de auxiliar esses empreendedores.”, creio que este seja o principal motivo para investidores focarem principalmente em copycats, o ambiente startup brasileiro ainda está amadurecendo, por tanto, é normal que investidores foquem em copycats, assim com tempo, os investidores vão perceber que investir em startups inovadoras não será um investimento de alto risco como muitos investidores estão vendo hoje.

    Ótimo artigo, parabéns!

    1. Muito obrigado, Rafael! Acredito que depois que o ecossistema de startups estiver mais desenvolvido, vejamos menos copycats e mais startups inovadoras!

      Até lá, copycats continuam tendo o seu importante papel de educar empreendedores, investidores e outros colaboradores desse ecossistema. =)

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