Numa das reuniões do Board of Executives (Conselho Administrativo) do MeuResumo (startup da qual sou sócio), um dos nossos board members deu a ideia de fazer um post sobre como foi montar um board of advisors e o que ela agregou para a gente.

Achei super válida a sugestão e decidi escrever como foi nossa experiência, segue ela abaixo.

Tudo começou por acaso quando eu vi um curso online chamado Startup Boards: Advanced Entrepreneurship no Venture Lab de Stanford, fiquei bastante interessado e resolvi dar uma olhada.

O curso era sobre como montar e tocar um para sua startup e quais as diferença de um board de uma startup para o de uma grande empresa, como eu nunca tive experiência com board e sou bastante curioso, eu decidi participar.

O curso era pouco teórico e bastante prático, logo numa das primeiras aulas a tarefa era efetivamente montar um board member para a sua startup. A princípio eu fiquei com um pé atrás de montar um para o MeuResumo por dois motivos, primeiro porque ainda estávamos num estágio inicial e segundo porque não sabia qual seria a recepção das pessoas que eu gostaria de convidar.

Refletindo um pouco sobre o assunto, eu percebi que essa era uma excelente oportunidade, pois:

  • O board ia ser temporário e dessa forma não tinha um compromisso de longo prazo facilitando a aceitação do pedido;
  • Era uma “desculpa” perfeita para eu conseguir chamar pessoas, afinal de contas era para uma aula de Stanford e as pessoas gostam de ajudar atividade com fins acadêmicos, ainda mais quando é de Stanford;
  • E, principalmente, eu não tinha nada a perder;

Decido que eu gostaria de tentar fazer, eu conversei com meus sócios e resolvemos investir nisso. Fiz o convite para duas pessoas que acreditei que agregariam, o Edson Rigonatti da Astella Investimentos e o Eduardo Cruz empreendedor e ex-diretor do C.E.S.A.R.

Para minha surpresa, eles prontamente aceitaram! Fiquei bastante feliz e, com isso, já tínhamos um investidor com experiência e com olhar mais estratégico e um empreendedor e desenvolvedor com um olhar mais técnico e de execução.

Como o número que acreditamos ser o ideal seria de três pessoas, convidamos outras pessoas, que gentilmente recusaram a proposta por falta de tempo, apesar de terem gostado muito da ideia e da iniciativa.

Depois de montado o board, começaram as reuniões e eu não tinha a menor ideia como elas seriam. Eu fiquei responsável por tocar as reuniões e organizar tudo, estava um pouco apreensivo, mas nada como aquele friozinho na barriga para você se esforçar mais para as coisas irem bem.

As nossa reuniões eram semanais devido à duração do curso, porém normalmente elas são mais afastadas do que isso. E eu entendi o porque disso, reuniões semanais são muito complicadas, você gasta um tempo razoável para organizar a reunião, fazer o dever de casa e o material para apresentar, sendo que além disso é um período muito curto para você realmente ter resultados significativos, o que muitas vezes te frustra.

Sendo mais prático, o board nos ajudou a responder as seguintes perguntas:

  • Estruturar uma empresa no Brasil ou nos EUA?
  • Modelo de assinatura, venda direta ou um modelo misto?
  • Qual segmento de clientes focar primeiro?
  • Qual a melhor estratégia de divulgação?
  • Go to Market agora ou esperar?

Durante esse processo também tive diversos aprendizados importantes em relação a board of advisors e gostaria de compartilhar com vocês eles:

  • As pessoas são mais receptivas a participar do board do que você imagina, desde que você respeite o tempo delas e mostre empenho;
  • Um board ajuda como uma forma de compromisso para todos os sócios estarem alinhados com um objetivo;
  • O “board pressure” é um incentivo muito forte para você correr atrás de fazer as coisas bem feitas, pois você não quer decepcionar seus conselheiros;
  • Muitas vezes ficamos preso no operacional e um board pode te ajudar a voltar a pensar mais estrategicamente e orientado a resultados;
  • Trazem experiências e conhecimentos diferentes da equipe e que podem complementar ou reforçar os da sua equipe;
  • Para mostrar resultados de verdade, é importante que as reuniões tenham um tempo de pelo menos 1 mês;

Apesar de ter sido um período curto de experiência com um board, ele foi bastante proveitoso e por isso eu gostaria de agradecer publicamente ao Edson e ao Eduardo em nome da equipe do MeuResumo por terem proporcionado essa experiência e pelo direcionamento que eles nos deram.

 

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4 comentários sobre “Case MeuResumo – Montando um Board

  1. Muito bacana Thiago. Eu tive a oportunidade de participar de um Board e a experiência foi riquíssima. Sair do “dia-dia”, ouvir visões diferentes, receber puxões de orelha, testar conceitos e até mesmo receber provocações para fortalecer o discurso foram algumas das coisas que guardei comigo destas experiências!

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