Muito se fala da transição que o CEO precisa passar quando a sua startup cresce e vira uma empresa, e que já não necessita mais de um empreendedor desbravador como CEO e, sim, de um executivo que sabe gerir uma empresa grande. Alguns conseguem fazer essa transição, porém são poucos.

Porém te um outro problema mais frequente e que pouco se fala, sendo que é uma transição igualmente importante e que acontece bem mais cedo na vida de uma startup.

Quando a startup deixa de ser uma empresa de 2 ou 3 sócios fundadores e passa a ser uma empresa de 10 pessoas, os fundadores precisam assumir papeis como CEO e CTO de uma empresa.

Normalmente é escolhido para ser o CEO o sócio que tem sua opinião respeitada, que sabe gerenciar e motivar as pessoas, dessa forma a transição para se tornar CEO não é tão problemática.

Por outro lado, a transição de um fundador desenvolvedor para CTO é algo um pouco mais complicado.

Desenvolvedores são conhecidos por serem autossuficientes, não gostarem de serem gerenciados e não terem muita habilidade para gerenciar e motivar pessoas. Outro ponto interessante é que, normalmente, quanto melhor um desenvolvedor, mais intenso são esses atributos.

No começo de uma startup isso não é nenhum problema, pois o que a startup precisa naquele momento é um excelente desenvolvedor. Porém quando a startup começa a crescer, temos um grande problema.

A principal atividade do fundador desenvolvedor deixa de ser desenvolver, ele vai continuar tomando decisão da estrutura de desenvolvimento, porém ele também passa a precisar liderar uma equipe de desenvolvedores, ou seja, contratar, delegar tarefas, gerenciar e motivar a equipe. Porém vale lembrar que ele odeia que gerenciem ele.

Dessa forma a maioria das startup deixa de ter um excelente desenvolvedor para ter um CTO medíocre. O que normalmente gera bastante stresse entre os sócios.

Caso o sócio não tenha o perfil de CTO e também não tenha muita experiência gerenciando equipes ou sendo gerenciado, torna-se bastante difícil a transição.

Uma alternativa seria contratar um CTO de fora da startup, certo? Porém é pouco provável que o fundador desenvolvedor vá aceitar essa decisão. Primeiro, porque quanto melhor o desenvolvedor mais ele acredita ser autossuficiente e mais difícil dele admitir que não tem o que é necessário para ser um CTO. Segundo porque ele é sócio fundador e não vai querer ninguém mandando nele.

Assim a startup fica num dilema que com certeza irá atrapalhar o desenvolvimento dela. Quanto mais tempo se perder sem resolver esse dilema, gera cada vez mais stresse entre os sócios e a startup não evolui do jeito que deveria.

Para solucionar esse problema é preciso deixar os egos (de todos os sócios) de lado e conversar sobre o que é melhor para a startup. Não, pode ter certeza que não será uma decisão fácil de se tomar.

Existem formas de se contornar esse problema, por exemplo dividir o papel do CTO em dois. Um que toma todas as decisões ligadas ao desenvolvimento do produto e outro que é o responsável pela gestão da equipe de desenvolvedores. Dessa forma seria possível contratar alguém para a gestão sem precisar colocar essa pessoa acima do fundador. Pelo que saiba, foi feito assim no Moip e tem dado certo.

Você já teve essa dificuldade? Como solucionou esse problema? Conte-nos.

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8 comentários sobre “De sócio desenvolvedor para CTO

  1. Thiago, eu poderia publicar este excelente artigo no blog do projeto Startup SC (www.startupsc.com.br)? 

    Obviamente vou citar a fonte e autor. — Sent from Mailbox for iPhone

    On Sun, Jan 26, 2014 at 11:48 AM, “Startup Biz Model – Modelos de negócios”

  2. Muito legal o post. Moip é um exemplo, mas a apple? é um dos melhores exemplos Steve contratou um CEO para empresa dele, o cara da pepsi, pq ele falou pra si mesmo: “não estou preparado para ser o presidente da empresa”. Um profissional precisa reconhecer seus gaps e se o cara não tem habilidade para o cargo de CTO nesse momento ele tem que esquecer que é co-fundador da start-up e tem x % da empresa e sim saber o que é melhor pra que ela se mantenha viva nos proximos 1,2,3,4…anos. Mas, vejo que o problema do ego de desenvolvedor citado acho que não é só o fato de ser desenvolvedor e sim cultural, brasileiro tem mania de querer criar empresa pra ele e não para o mundo. E uma coisa que admiro nos americanos que eles buscam criar empresas para o mundo e não para eles, dai a gente tem HP, IBM e outras.
    Enfim, excelente post Thiago.

    1. Valeu Camilo. Concordo com você, porém não é uma decisão fácil e os desenvolvedores são pessoas complicadas nesse sentido.

      Esse olhar do brasileiro fazer uma empresa para ele e não para o mundo, eu não tinha pensado, mas faz sentido.

      Valeu pelo comentário. Abraços

  3. Eu acho que esse problema começa antes, na cultura do brasileiro que é desorganizado e não está habituado com a cultura de planejamento. Será que esses desenvolvedores que se dizem os mestres do desenvolvimento ágil são de fato produtivos?

    Quando voltamos a falar de desenvolvedores para CTOs também entra a questão da maturidade do mercado de TI no Brasil, que não pode ser de nenhuma forma comparado ao dos EUA por causa de salário, oportunidades de trabalho e experiência das próprias empresas na hora de recrutar e gerir todo o processo.

    Eita, acho que o seu post me trouxe mais perguntas do que respostas, hehehehe. Espero ter contribuido com a discussão 🙂

    1. Fala Daniel, realmente o post era para trazer a tona a discussão. A cultura brasileira é mesmo desorganizada e não planejada, porém isso é para todos e não apenas os desenvolvedores, por isso não creio que esse seja o problema.

      Quanto aos CTOs, não acho necessário comparar com os CTOs americanos, mas comparar o comportamento desse novo CTO com as suas responsabilidades.

      Enfim, a conversa vai longe, mas considero um problema importante para debater e tentar entender os motivos disso e como podemos superar.

  4. Creio que o melhor exemplo de desenvolvedor que tornou-se CTO medíocre seja o Steve Jobs. Embora tenha sido uma pessoa exemplo de criatividade, era arrogante, prepotente e convencido.

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