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Não se iluda, os fundadores de startups ainda vão ter que trabalhar no operacional e apagando incêndios por um bom tempo até terem uma boa equipe e bem treinada. 

A vida de CEO, CTO, CFO e outros CXO de startups não é tão glamurosa quanto parece, às vezes eles vão ter que fazer tarefas bobas mas que precisam ser feitas devido ao tamanho reduzido da sua equipe.

Empreendedores precisam ser multi-task, pois precisam fazer de tudo na empresa e até, caso precise, pagar contas, comprar material para escritório, entre outras coisas.

Muitas vezes ter dinheiro demais atrapalha o foco das startups. Para startups iniciantes é muito importante validar suas hipóteses de mercado e de solução, mas caso você tenha muito dinheiro, você já vai querer fazer a solução mais completa e colocá-la no mercado sem saber se existe um mercado efetivo para ela, se ele soluciona um problema real e se as pessoas estão dispostas a pagar por ela. Ou seja, você irá gastar muito dinheiro desenvolvendo algo sem saber se pagaram por isso.

No livro The 4 Steps to Epiphany, Steve Blank fala do emblemático caso da Webvan. Esse caso aconteceu durante o auge da bolha da internet em 2000, ela levantou muitos milhões de dólares para fazer um sistema de entregas de supermercado online. Com esse dinheiro eles desenvolveram todo o sistema, contrataram os melhores funcionários e construíram diversos centros de distribuição pelo país. O problema disso tudo é que eles não tinham validado o tamanho do mercado e construíram uma estrutura empresarial e logística enorme para atender um mercado pequeno. Os investimentos que eles receberam cegaram eles quanto ao tamanho desse mercado e os fizeram crescer acima do próprio mercado. Resultado, tiveram uma das piores falências durante a bolha.

Por outro lado, a falta de dinheiro pode até ser um excelente incentivo para se criar soluções criativas e de baixo custo. A 37signals, empresa de desenvolvimento de produtos SaaS para pequenas empresa, é um excelente exemplo disso. Eles sempre criaram seus produtos com o mínimo de recursos possível e, por isso, seus produtos são bem “clean”, tendo apenas o essencial para solução do problema que eles se propuseram a solucionar.

Dinheiro é importante para uma startup, principalmente, para manter os sócios dedicados full-time nela. Para as outras atividades, se você tiver um budge limitado fará você focar no essencial do seu produto e em ganhar dinheiro com ele.

Não adianta, seu cliente dificilmente vai pensar da mesma forma que você! A não ser em raros casos em que você é o seu público-alvo (seu produto está solucionando um problema seu) e você pensa da mesma forma que a maioria deles.

Para solucionar esse problema, faça o customer development! Se você não sabe o que é isso?

Veja aqui um bom artigo sobre o assunto:

http://www.manualdastartup.com.br/blog/customer-development-o-processo-para-se-chegar-ao-productmarket-fit/

E um post sobre o livro Running Lean que explica também esse assunto:

http://modelodenegocios.tumblr.com/post/8698873985/leancanvas

Ou leia o livro The Four Steps to Epiphany onde o Steve Blank criou o termo:

                                              


http://www.stevenblank.com/books.html

Resumindo o conceito, valide suas hipóteses de problema e solução conversando com potenciais clientes e aprenda com eles.

E não se esqueça, apesar de seu produto poder ser um lixadeira de alta rotação para lixar metais, vai existir algum tonto que vai querer utilizá-la para lixar a unha do pé! Por isso, pegue seu protótipo e deixa seus clientes tentarem usar para ver como eles iram usar.

Apesar dessa afirmação não parecer uma mentira, ela é. Muitas pessoas são levadas a fazerem um plano estratégico elaborado que leva em conta diversas variáveis e cenários, apesar dessa abordagem parecer ser a mais lógica, ela não funciona para startups.

O ambiente em que as startups atuam são ambientes cheios de incertezas e onde geralmente não se possuem históricos para comparação. Por esse motivo, a metodologia que tem se provado mais eficiente é a de tentativa e erro (a qual o Lean Startup prega) , onde desenvolver, testar no mercado e corrigir tem sido muito mais importante do que o próprio planejamento estratégico.

Vale lembrar que o pensamento estratégico é necessário para direcionar a execução, porém não se deve ficar dentro do prédio atrás de uma mesa pensando como o mercado reagirá ao seu produto. 

Por isso, invista sim um tempo no pensamento estratégico para saber aonde você quer chegar, porém gaste mais tempo no desenvolvimento e colocando ele no mercado. Importante também não ficar preso a seu planejamento inicial, pode ter certeza que ele estará errado!😉

Não se iluda, uma patente não será a solução para todos os seus problemas.

Se a sua startup possui algum processo patenteável, ela pode ser vital para o seu negócio (principalmente para startups de biotecnologia), mas não impedirá que apareçam concorrentes. Pois é bastante provavel existam métodos alternativos para solucionar o problema que você resolve.

Outro ponto importante é que nem grandes empresas com os melhores advogados conseguem evitar que concorrentes quebrem as suas patentes, imagine sua startup que precisa gastar bem cada centavo (grandes empresas sempre brigam entre si por patentes e contra empresas chinesas).

Lembrando que softwares e métodos não são patenteáveis no Brasil. Para softwares existe o registro de software, sendo que ele não é muito eficiente e as empresas tem preferido fazer segredo industrial como forma de proteção.

Ou seja, é importante pensar em qual a melhor forma de se proteger a propriedade intelectual da sua empresa, porém levando em conta o tempo e os recursos necessários para isso.

Acredite, a vida de um empreendedor não é nada fácil. E se fosse fácil, não teria a menor graça!

O empreendedor é empreendedor 100% do tempo, ao contrário do trabalhador que faz suas 40-50 horas semanais, volta para casa e esquece do trabalho. Como o empreendedor sempre está pensando em algo relacionado ao seu negócio, às vezes fica difícil de separar a vida pessoal da profissional. Mas só o fato dele estar indo atrás do seu sonho e trabalhando com algo que ele goste, vale todo esse sacrifício.

É verdade que não existe um motivo certo para se empreender, mas com certeza acreditar que você trabalhará menos é um péssimo motivo (até porque é mentira). Abaixo segue um post do blog Saia do Lugar sobre os piores motivos para se empreender, vale a pena dar uma olhada para ver se não é o seu motivo!

http://www.saiadolugar.com.br/2010/09/08/os-piores-motivos-para-se-comecar-uma-empresa/

Se você for trabalhar, trabalhe com algo que você goste. Mas se você for empreender, escolha algo que você seja apaixonado!

Não se engane achando que seu produto é tão bom que você não vai precisar fazer nada para vendê-lo. Mesmo com um produto excelente é difícil ser notado num mercado que está cheio de boas opções e outras não tão boas, por isso crie um plano de marketing para o seu produto e pense nos custos que você terá para executá-lo.

Lembre-se, mesmo para viralizar um produto online é necessário gastar dinheiro e para fazer divulgação dentro de redes sociais se gasta tempo de alguma pessoa, sendo que esse tempo tem um custo, não o ignore.

Não caia na tentação de achar que como seu produto é sensacional, você não precisará gastar um centavo em marketing. Até o iPhone da Apple teve que gastar muito dinheiro em marketing mesmo tendo um produto incomparável, porque você acha que não vai precisar?