Modelo de Negócios – Lemon

Modelo de Negócios – Lemon

Voltando para a falar das startups aqui do Vale do Silício, da última vez eu falei da Dabee que é uma startup de brasileiros, agora vou falar da Lemon que foi fundada por latinos americanos por aqui. Resolvi falar dela não apenas pelo fato dela ser um caso interessante, mas também por ela ter uma brasileira bem conhecida que tive o prazer de encontrar e conversar com ela aqui, a Isabel Mattos (pois é,ela é pop sim!).

A Lemon foi fundada em julho de 2011 pelos empreendedores Meyer Malka and Wenceslao Casares com o objetivo de resolver o problema da gestão de finanças pessoais através de um sistema de scanneamento dos recibos usando a câmera de um smartphone.

A ideia é bem simples e é muito provável que seja isso que a torne boa. Você tira uma foto do recibo usando o aplicativo da Lemon no seu smartphone (iPhone, Android, Windows Phone, Blackberry e Symbian) e ele envia a foto do recibo para ser analizada nos servidores dela, depois de poucos minutos ele identifica os dados e valores do recibo, que depois é armazenado e organizado no seu smartphone. Dessa forma você precisa apenas bater foto dos seus recibos e a Lemon faz o resto por você. Bem prático, não?

A mágica da simplicidade é exatamente o trabalho duro que eles tem feito com o reconhecimento de imagem, que é um grande problema técnico devido às diferentes condições que as fotos dos recibos são tiradas, além dos diversos tipos de recibos. Pois é, a simplicidade às vezes  pode ser bem complexa.

O modelo de negócios da Lemon também simples , mas que tem quatro tipos diferentes de segmentos de clientes, sendo que cada um dele tem uma proposta de valor diferente e um forma de receita diferente.

Os detalhes do modelo estão no canvas abaixo:

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Um problema que eles enfrentam é a barreira de adoção devido à necessidade de uma mudança de hábito dos usuários, tirar a foto de todos os recibos, é claro que essa mudança é mais fácil para uns do que para outros. Se você já anota todas as suas contas num aplicativo ou planilha após fazer uma compra, é mais fácil mudar, porém é bem mais difícil para uma pessoas que ainda não acompanha os seus gastos assim.

Infelizmente a Lemon ainda atua apenas nos EUA e não é tão simples adicionar um novo país, pois não é apenas o problema do reconhecimento dessa nova língua, mas também dos tipos de recibos e das lojas para recomendar o tipo de gasto. Espero que em breve a Lemon chegue ao Brasil.

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#FicaaDica: O segredo da Lemon é abordar um problema que atormenta muitas pessoas de uma forma bem simples para o usuário, ao invés das pessoas precisarem preencher uma tabela de excel ou colocar os dados num aplicativo toda vez que fazem uma compra, com a Lemon elas precisam apenas bater uma foto, simples e direto.

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Modelo de Negócios – Airbnb

Modelo de Negócios – Airbnb

Nesse post eu resolvi fazer algo diferente, não vou falar de  nenhuma startup brasileira e sim de uma startup bem conhecidado Vale do Silício, a Airbnb. Resolvi falar dela devido ao fato da sua estratégia e do seu modelo de negócios terem pontos interessantes.

A startup foi fundada em 2008 por Nathan BlecharczykBrian Chesky e Joe Gebbia com o objetivo de criarem uma forma mais fácil de se alugar casas, quarto e outros lugares por curtos períodos.

O negócio deu tão certo e cresceu tanto que eles já levantarem 120 milhões de reais de investidores. Mas o que eles fazem afinal? Eles são um plataforma para pessoas que querem alugar seus lugares extras que possuem e para viajantes que buscam uma opção diferente dos hotéis e albergues e a um baixo preço.

Ou seja, eles usam o modelo de marketplace onde possuem dois segmentos de clientes em que um tem quer alugar algo que o outro quer e o Airbnb tem apenas a função de facilitar essa negociação. Nesse caso, esse modelo também é conhecido como P2P (peer-to-peer) pois os clientes são ambos pessoas e não empresas, em referência aos sistemas P2P de compartilhamento de arquivos pela internet.

 Eles tiveram duas boas sacadas, a primeirea é que, ao contrário da maioria dos modelos de marketplace, o Airbnb consegue cobrar nas duas pontas. Cobram uma taxa de reserva dos viajantes (6-12%) e uma taxa dos anfitriões pelas reservas que bem sucedidas (3%);

A outra que achei sensacional é que eles contratam fotógrafos profissionais para tirar as fotos das casas para os anúncios, dessa forma as fotos ficam lindas e fazem com que as pessoas tenham muito mais interesse em fazer as reservas. Esse é um grande diferencial competitivo, pois na grande maioria dos sites parecidos com o Airbnb são os próprios usuários que tiram as fotos e dessa forma as fotos não ficam tão boas quanto a deles.

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  • Garantir a segurança de quem aluga o seu local. Eles tiveram um caso de roubo que teve uma grande repercussão e que, depois desse caso, eles tiveram que começar a oferecer um seguro de até 50 mil dólares;
  • Expandir a base de fotógrafos para outras regiões e países em que eles passaram a atua;
  • Realizar as transações internacionais ao menor custo possível;
  • Se adequar as legislações locais dos países em que atua;

#FicaaDica: Como a sua startup pode se diferenciar da concorrência e ao mesmo tempo gerar valor? A ideia de usar fotógrafos profissionais para tirar as fotos dos lugares criou um grande diferencial para o Airbnb e que aumento a credibilidade e a qualidade do serviço deles.

Modelo de Negócios – Better Place

Modelo de Negócios – Better Place

Resolvi começar o ano fazendo um post um pouco diferente, porém, ao invés de escolher uma startup brasileira para analisar o modelo de negócio dela, como sempre fiz nos posts, escolhi uma startup israelense para mostrar o potencial que um modelo de negócios bem feito pode ter, a Better Place.

Vou contextualizar um pouco antes, na indústria de carros elétricos existem 3 grandes problemas que as empresas tentam solucionar a um tempo, porém sem sucesso, e esses 3 problemas são devido as baterias existentes porque elas são:

  • Muito caras, o que torna os preços dos carros elétricos praticamente inviáveis;
  • Baixa autonomia, os carros com essas baterias não conseguem autonomias muito maiores do que 100 km;
  • Tempo de recarga é muito longo (muitas horas), o que torna inviável que uma passe num posto e a carregue como gasolina;

Esses tem sido problemas que a anos inviabilizam os carros elétricos e, por esse motivo, as empresas de automóveis estavam focando no desenvolvimento de carros híbridos, ou seja, que possuem tanto um motor elétrico como um a combustão para poder contornar esses problemas problemas.

Entretanto, os carros híbridos não solucionam o problema, continuam usando combustíveis fósseis e sendo muito ineficiêntes, comparando com os carros elétricos.

Você deve estar se pergutando o que essa startup Better Place tem a ver com isso? Será que ela conseguiu desenvolver um novo tipo de bateria que aumenta a autonomia, reduz o tempo de recarga e ainda é mais barata? Difícil de acreditar que uma startup pequena consiga sozinha um desenvolvimento tão incrível assim, que nem as grandes empresas do setor não chegaram perto.

Então aonde ela entra nessa história? Simples, ela desenvolveu um modelo de negócios que consegue contornar todos esses problemas sem a necessidade de um desenvolvimento de um produto inovador. Ou seja, ela inovou no modelo de negócios.

O empreendedor israelense Shai Agassi, largou uma promissora carreira na empresa SAP para lançar um ambicioso projeto chamado Better Place em 2007. A ideia desse projeto surgiu quando ele participou, em 2005, do Fórum Econômico Mundial e onde ele ouviu a seguinte pergunta de um palestrante: “How do you make the world a better place by 2020?”.

Daquele dia em diante, ele começou a pensar em como fazer a sociedade livre dos combustíveis fósseis. Começou a estudar porque os carros elétricos não deram certo e,  desses estudos, surgiu a ideia da Better Place. Ao analisar aqueles 3 problemas, ele pensou em soluções que pudessem contorná-los:

  • Preço alto das baterias: E se as pessoas pagassem pelo uso delas, ao invés de comprarem a bateria, as baterias poderiam ser da Better Place e as pessoas pagariam apenas pelo uso delas, diluindo o custo total ao longo da vida útil da bateria (que é suficientemente longo);
  • Baixa autonomia das baterias: Seria necessário criar uma rede de pontos de recarga pelas cidades para que as pessoas pudesse andar sem se preocupar em ter que carregar;
  • Tempo de recarga muito longo das baterias: Como a bateria não seria das pessoas, a Better Place poderia simplesmente trocar as baterias vazias por baterias cheias, reduzindo o tempo de “recarga” para o tempo de troca das baterias que leva 5 min. Além de instalar pontos de recarga na casa dos usuários e no trabalho para poderem diminuir a necessidade de troca de baterias;

De uma maneira relativamente simples, ele conseguiu contornar esses problemas até então sem soluções, apenas entendendo as limitações das tecnologias atuais e inovando no modelo de negócios.

Obviamente isso não tornou a vida da Better Place fácil, pois esse modelo de negócios trouxe outros problemas, porém não tecnológicos, como a criação da estações de troca de baterias, a construção da rede de pontos de recarga, construção de um carro que otimizasse o processo de troca de bateria e dinheiro para financiar toda a infra-estrutura e as baterias.

Para resolver esses problemas foram necessários parceiros chave como:

  • A Renault que adaptou o modelo Fluence para esse projeto, se comprometendo a fabricar 100.000 unidades para a implementação inicial;
  • Governos de Isral, Califórnia e Dinamarca que abraçaram o projeto e ajudaram na construção da rede de pontos de recarga para um piloto do projeto;
  • Empresa de energia elétrica local, que necessitam utilizar um software Smart Grid desenvolvido pela Better Place para diminuir os problemas na rede devido ao grande consumo das recarga dos carros;
  • Investidores para financiar a estrutura necessária;
  • Empresa de baterias de lítio para desenvolverem uma bateria especifica para as necessidades da Better Place e para garantir o fornecimento;

Esse é um ótimo exemplo de modelo de negócios bem feito, onde os blocos são importantes e a relação entre eles também. Abaixo segue o modelo canvas da Better Place:

 

Essa é uma solução ótima para os usuários, pois eles não mais precisam pagar caro pela bateria (o preço do carro fica equivalente ou até mais barato que carros com motores a combustão) e pode até reduzir o gasto com combustível, além de garantir a sustentabilidade do planeta.

Abaixo assista a um vídeo apresentando a Better Place:

 

 

A Better Place ainda está testando seu modelo, até agora com sucesso, mas esse ano de 2012 será seu verdadeiro teste.

Mesmo que ela não consiga ter o resultado esperado, elas deixa uma importante mensagem, que temos que pensar nos problemas de formas diferentes e que uma simples mudança no modelo de negócios pode contornar todo um problema tecnológico e econômico.

Bom, espero que esse exemplo inspire a todos vocês a serem mais criativos e a pensar no modelo de negócios como uma forma de viabilizar um negócio e não apenas como a forma da empresa de ganhar dinheiro.

 

HAPPY NEWS YEAR AND LET’S HOPE FOR A BETTER PLACE FOR ALL OF US.