Análise de Modelo de Negócios – Camiseteria

Análise de Modelo de Negócios – Camiseteria

Praticamente todo mundo gosta de camisetas, não é? Um dos motivos é que elas tornam visível aos outros seus sentimentos e gostos, mas você já pensou em fazer a sua própria camiseta?

Essa é a proposta da Camiseteria, uma empresa que utiliza a concorrência criativa para desenvolver novos tipos de camisetas.

A Camiseteria foi criada em 2005 pelo Fábio Seixas e o Rodrigo David, depois que o Rodrigo participou de um concurso de estampas de uma empresa americana e acreditou que esse modelo poderia funcionar no Brasil. E deu tão certo o modelo que em 3 meses eles atingiram o break-even.

O modelo dela  funciona como um concurso de estampas aberto, onde qualquer pessoa pode submeter uma estampa e os próprios usuários escolhem as melhores estampas que serão feitas e vendidas pela Camiseteria. As pessoas que tiverem suas estampas selecionadas recebem 800 reais em dinheiro e 500 reais em produtos.

A escolha da estampa pelos usuários não é o único critério utilizado para decidir as estampas que serão comercializadas pela Camiseteria. Na verdade são 4 critérios que seguem abaixo:

  1. Nota dos usuários
  2. Fator “Eu Compraria”
  3. Questões técnicas
  4. Nota da equipe Camiseteria
Os concursos duram 10 dias e depois são escolhidas de 4 a 6 estampas que seram comercializadas.

A transparência e a recompensa dos usuários, como você pode perceber, são pontos essenciais da empresa e, por isso, eles criaram um Manifesto Camiseteria, que vocês podem ler aqui:

http://www.camiseteria.com/manifesto.aspx

Outro ponto bastante importante é a comunidade deles, o sucesso da Camiseteria depende da sua comunidade de clientes e designers de estampas para poder fazer as estampas e escolher as melhores, por isso é importante que eles tenham um especial cuidado com ela.

E como a opinião pública é bastante importante para eles, eles fizeram algo curioso e corajoso, criaram um setor onde qualquer um pode ver o que está se falando da Camiseteria no Twitter, o que a torna mais transparente e com a necessidade de cuidar bem da comunidade. Vale a pena dar uma olhada:

http://www.camiseteria.com/twitter/

Eles utilizam uma forma de incentivar ativamente a comunidade a divulgar a Camiseteria que é o programa de pontos deles, onde eles premiam as pessoas que divulgam eles nos seus sites e quem mandar foto com as camisetas da Camiseteria. Esses pontos valem reais e podem ser trocados por produtos nas lojas.

Abaixo segue o modelo Canvas da Camiseteria para vocês poderem analisar melhor:

Esse modelo de crowdsourcing possui alguns riscos:
  • Risco de atrair poucos designers para fazerem estampas
  • Risco das estampas serem ruins
  • Risco dos clientes não gostarem das camisetas

Apesar de ser um modelo de crowdsourcing, ele é diferente de outros modelos que eu já analisei aqui:

Provavelmente o que mais se assemelha é o do We.do.logos, que também é de concorrência criativa, porém ele funciona de maneira criativa, vale a pena comparar os dois para entender melhor a diferença.

Abaixo seguem alguns dados da empresa:

  • Criação: Em 2005
  • Fundadores: Fábio Seixas e Rodrigo David
  • Setor de atuação: E-commerce de camisetas
  • Break-Even: Em 3 meses
  • Modelos disponíveis: Atualmente são 41 masculinos e 165 femininos

#FicaaDica: O modelo crowdsourcing pode ser utilizado de diversas maneiras e em diversos setores e, por isso, vale a pena estudá-lo para verificar se esse modelo pode ser utilizado na sua startup. Apesar dele ser um modelo com enorme potencial, ele exige habilidade de se trabalhar com comunidades e rede sociais, o que exige da empresa uma transparência muitas vezes maior do que elas estão dispostas a ter .

Análise do Modelo de Negócios – Crowdtest

Já falamos alguns modelos de negócios que usavam o corwdsourcing (we.do.logos, Catarse e Battle of Concepts), que é uma ferramenta muito interessante e que pode ser aplicada em diversos tipos de modelos.

Um modelo que achei bastante interessante é o do Crowdtest, que utiliza o crowdsourcing para realizar testes em softwares.

A Crowdtest foi criada em outubro de 2010 pelos Roberto Pereira e Hugo Barros, sendo que a plataforma foi lançada em março desse ano. E sua estimativa de receita para o final desse ano já é de quase 1 milhão de reais.

O modelo dela é muito legal, onde desenvolvedores e usuários experientes (em software, mobile e web) se cadastram na plataforma e, quando uma empresa se interessa em fazer um projeto ou fazer o pacote mensal, elas compram uma franquia de bugs (meio um estilo pré-pago). Ao definir o projeto, o Crowdtest seleciona na sua base de testadores os que possuem as expertises necessárias para fazer os testes e remuneram eles por resultado, ou seja, quando essa pessoa encontra um bug, erro ou faz uma sugestão interessante. O valor pago depende do tipo de bug encontrado, segue abaixo os tipos e valores:

  • 20 reais – Bug Impeditivo, onde ele impede o funcionamento
  • 10 reais – Bug Funcional, onde ele restringe o funcionamento
  • 4 reais – Deficiência na Interface Gráfica
  • 2,5 reais – Melhorias propostas

Algumas vezes são oferecidos prêmios como notebooks e HD externos, como recomensa.

Abaixo segue o modelo canvas para se ter uma visão geral do modelo de negócios:

Crowdtest

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Os principais riscos desse modelo são:

    • Risco de não atrair testadores
    • Risco dos testadores serem de baixa qualidade
    • Risco das empresas não confiarem no modelo
    • Risco de propriedade intelectual dos projetos

Resumindo, o Crowdtest é uma startup com um modelo muito legal que utiliza crowdsourcing para reduzir os custos de teste de software.

Dados da empresa:

    • Fundadores: Roberto Pereira e Hugo Barros
    • Setor de atuação: Teste de software
    • Lançamento: Outubro de 2010
    • Nº de testadores: 1100
    • Nº de funcionários: 8
    • Valor dos projetos: A partir de 2000 reais
    •  Faturamento: 920 mil reais para o final de 2011

#Ficaadica: É legal notar que o Crowdtest não é um copycat, ele veio da experiência de trabalho do Hugo Barros com a empresa Base2 que é especializada em teste de software, onde percebeu uma boa oportunidade de utilizar crowdsourcing na área em que atuava e que resultou numa inovação no modelo de negócios. Você não consegue usar a sua experiência para criar algo novo?

Análise do Modelo de Negócios – we.do.logos

A colaboração coletiva (crowdsourcing) tem sido uma excelente fonte de inovação para as empresas, principalmente no desenvolvimento de novos modelo de negócio.

Um desses modelos é o de concorrência criativa, onde a empresa coordena um processo de competição de algum produto/serviço que utiliza a criatividade de uma base de usuários para que seus clientes possam se beneficiar dessa concorrência e os usuários obtenham algum tipo de benefício por isso.

Em fevereiro de 2008, a empresa australiana 99designs foi uma pioneira ao utilizar a concorrência criativa no desenvolvimento de logos e outras artes para a comunicação visual.

No Brasil, a primeira empresa a fazer isso foi a we.do.logos, que vem sendo bem sucedida na utilização desse modelo para o desenvolvimento da comunicação visual de empresa, principalmente, de pequenas e startups.

Ela foi criada em setembro de 2010 e já conta com uma base de mais de 14 mil designers cadastrados e mais de 300 mil artes entregues aos seus clientes.

O valor mínimo para o desenvolvimento de logo é de 195 reais, bem abaixo dos valores dos escritórios de designers, mas o cliente que define quanto quer investir. Sendo que quanto maior o valor, mais e melhores designers se interessaram para participar desse projeto e melhor o produto final será.

O valor do projeto é pago ao vencedor do projeto decrescido de 20% que é a taxa que a we.do.logos cobra.

Para entender melhor como funciona o modelo da we.do.logos, abaixo segue o modelo canvas da empresa:


we.do.logos

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A receita só é obtida quando o projeto é bem sucedido (eles garantem a devolução do dinheiro em casos de insatisfação, como uma forma de atrair novos clientes que estavam com receio de não obter o resultado esperado), contudo a taxa de sucesso dos projetos é de 95%.

Os principais riscos para esse tipo de modelo são:

  • Risco de não obter uma boa base de usuários
  • Risco de pouco engajamento da base de usuários
  • Risco dos clientes não confiarem no modelo
  • Risco do material desenvolvido pela base de usuários ser de baixa qualidade
  • Risco de propriedade intelectual

 

Como o modelo de concorrência criativa não era muito conhecido no Brasil, eles criaram um blog para fazer marketing de conteúdo falando sobre esse novo modelo e sobre a we.do.logos, segue abaixo o link para o blog:

http://blog.concorrenciacriativa.com.br/

Apesar da we.do.logos ser a pioneira aqui no brasil, o mar não fica azul para sempre. Desde seu lançamento, apareceram alguns concorrentes, como:

Porém a vantagem de ter sido o primeiro entrante e de ter a maior base de designers parece garantir seu sucesso, por enquanto…

 

#FicaaDica: Esse tipo de concorrência criativa é uma excelente ferramenta para startups, pois seus recursos são limitados no começo mas precisam de um trabalho com cara profissional para se apresentarem. Caso sua startup não tenha um designer na equipe, aproveite essa ferramenta e deixe sua startup mais apresentável.

Análise do Modelo de Negócios – Battle of Concepts

Já pensou em desenvolver um projeto para uma empresa podendo ganhar dinheiro e reconhecimento por isso? Essa é a proposta que a Battle of Concepts faz para os universitários e jovens profissionais.

Seu modelo tem origem na Holanda no ano de 2006, sendo trazido mais tarde para o Brasil em 2009.

O funcionamento da Battle of Concepts é a utilização de crowdsourcing, ou colaboração coletiva em português, para o desenvolvimento de projetos inovadores para as empresas clientes.

Abaixo segue o modelo canvas feito da Battle of Concepts:

 

Battle of Concepts

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A Battle of Concepts oferece de maneira gratuita uma proposta de valor para os universitários e os jovens profissionais, sendo essa subsidiada pelas empresas clientes dela. Podemos concluir que esse modelo de negócios é um tipo de modelo freemium.

Como podemos observar no modelo canvas, a empresa não precisa de muitos recursos financeiros para existir, porém é necessário uma habilidade de engajar comunidades, nesse caso a de universitários e jovens profissionais. Essa habilidade tende a ser cada vez mais um diferencial das empresas.

Existem 3 grande riscos esse modelo de negócios:

    • Não conseguir vender projetos para as empresas
    • Não conseguir o engajamento da comunidade
    • A comunidade não conseguir fazer os projetos que as empresas buscam

Sendo bastante importante fazer uma gestão constante desses riscos para conseguir ter um modelo sustentável.

Existem outras empresas no mundo que usam a colaboração coletiva para o desenvolvimento de projeto, algumas delas são:

 

#Ficaadica: Para saber mais sobre crowdsourcing, recomendo o ótimo livro Wikinomics do Don Tapscott e Anthony Willians, onde eles exploram de forma interessante o surgimento da colaboração coletiva. Para empresas, vale a pena ler o livro Open Innovation do Henry Chesbrough, onde ele fala o que é inovação aberta e como utilizá-la nas empresas.