Modelo de Negócios – B2Blue

Modelo de Negócios – B2Blue

Fazia um tempo que eu não escrevia mais posts sobre modelos de negócios de startups. Pode ter certeza que não foi por falta de startups interessantes no Brasil (que por acaso tenho visto várias), os meus motivos (desculpas) são que primeiro eles tomam um bom tempo para pesquisar e fazer um material legal e segundo por falta de inspiração mesmo. =)

Já falei de diversas startups nesse blog (essa é a de número 37 para ser mais preciso, veja todas clicando aqui), mas tenho que admitir que essa é uma das startups mais inovadoras que vi.

Em julho de 2012, com um investimento próprio de R$ 200 mil, a  Mayura Okura, fundadora da Maynis Negócios e Investimentos Sustentáveis, lançou a plataforma B2Blue.

A Mayura faz parte de uma nova geração de empreendedores que não apenas enxergam problemas sociais e ambientais, mas enxergam boas oportunidades de negócios neles.

No caso dela, ela viu no lixo das indústrias uma grande oportunidade. As empresas sempre tiveram problemas para se livrar dos resíduos produzidos pelos seus processos, porém davam um jeitinho para se livrar deles com o menor custo possível, o que era na maioria das vezes de maneira inapropriada. Porém, no dia 2 de agosto de 2010, as coisas mudaram por causa do promulgamento da lei 12.305, conhecida como lei dos resíduos sólidos, que obrigava as empresas a darem um destino adequado para os seus resíduos sólidos.

Essa lei abriu uma oportunidade mercado que até então era pequena e atraiu a atenção da Mayura, que criou a B2Blue para, não apenas ajudar o meio ambiente, mas também construir um negócio lucrativo.

Mas como a B2Blue ajuda as empresas a se livrarem dos resíduos sólidos? Simples, o que é resíduo para uma empresa pode ser matéria-prima para outra. Pensando nisso, ela criou um marketplace para que as empresas tanto divulguem os seus resíduos sólidos que querem negociar, quanto para as empresas anunciarem o tipo de resíduo que estão buscando.

Dessa forma a B2Blue faz o matching entre a empresa compradora e a empresa vendedora, elas negociam o preço e finalizam a compra. Tudo isso através da plataforma da B2Blue, e ela ganha dinheiro cobrando uma taxa de 15% em cima das transações bem sucedidas, ela ainda ajuda com os papeis de modo que a operação ocorra dentro das leis ambientais.

Caso a empresa apenas queira se livrar do resíduo sem cobrar por isso, eles cobram R$ 15 por tonelada de resíduo, que é uma forma interessante para permitir esse tipo de negociação, mas ainda conseguir ganhar um dinheiro pelo uso da plataforma.

O que é um modelo ganha-ganha-ganha, a vendedora consegue entrar dentro da lei e ainda pode ganhar dinheiro, o comprador consegue comprar sua matéria-prima a custo abaixo do mercado e a B2Blue ganha no intermédio.

Outra forma menor de receita, é a divulgação de serviço e produtos relacionados a resíduos sólidos na plataforma, cobrando uma assinatura pela divulgação. O que não imagino que seja um parte significativo da plataforma.

Bom, chega de falar, que tal você ver como ficou o canvas deles?

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Interessante esse modelo né? Mas como eles estão indo? Até o momento, eles já tem 4.187.605kg de resíduos negociados valorizados em R$2.986.318,00. O que mostra e valida o interesse das empresas pela plataforma.

Analisando esse modelo, existem alguns riscos, os principais que eu pensei foram:

  • O modelo se baseia na lei dos resíduos sólidos, dessa forma, caso a lei seja revogada ou afroxada, pode comprometer o modelo deles. Porém é pouco provável que se tenha um retrocesso ambiental desse tipo;
  • As empresas que produzem os mesmo resíduos sólidos constantemente (o que imagino que seja a grande maioria das empresas) podem vender sempre para os mesmos clientes e, dessa forma, preferirem negociar fora da plataforma;
  • A qualidade dos resíduos sólidos negociados não seja a exigida pelos compradores, ou mesmo a empresa mentir sobre a qualidade desses resíduos, o que comprometeria a credibilidade da plataforma;

Todo novo modelo tem seus desafios, o importante é conhecer quais são os principais riscos e buscar maneiras de evitar ou mitigar esses riscos.

Bom, era isso que queria falar sobre a B2Blue. Agora gostaria de ouvir o que você achou do modelo e se você tem algum comentário a fazer. O que você me diz?

 

Modelo de Negócios – Airbnb

Modelo de Negócios – Airbnb

Nesse post eu resolvi fazer algo diferente, não vou falar de  nenhuma startup brasileira e sim de uma startup bem conhecidado Vale do Silício, a Airbnb. Resolvi falar dela devido ao fato da sua estratégia e do seu modelo de negócios terem pontos interessantes.

A startup foi fundada em 2008 por Nathan BlecharczykBrian Chesky e Joe Gebbia com o objetivo de criarem uma forma mais fácil de se alugar casas, quarto e outros lugares por curtos períodos.

O negócio deu tão certo e cresceu tanto que eles já levantarem 120 milhões de reais de investidores. Mas o que eles fazem afinal? Eles são um plataforma para pessoas que querem alugar seus lugares extras que possuem e para viajantes que buscam uma opção diferente dos hotéis e albergues e a um baixo preço.

Ou seja, eles usam o modelo de marketplace onde possuem dois segmentos de clientes em que um tem quer alugar algo que o outro quer e o Airbnb tem apenas a função de facilitar essa negociação. Nesse caso, esse modelo também é conhecido como P2P (peer-to-peer) pois os clientes são ambos pessoas e não empresas, em referência aos sistemas P2P de compartilhamento de arquivos pela internet.

 Eles tiveram duas boas sacadas, a primeirea é que, ao contrário da maioria dos modelos de marketplace, o Airbnb consegue cobrar nas duas pontas. Cobram uma taxa de reserva dos viajantes (6-12%) e uma taxa dos anfitriões pelas reservas que bem sucedidas (3%);

A outra que achei sensacional é que eles contratam fotógrafos profissionais para tirar as fotos das casas para os anúncios, dessa forma as fotos ficam lindas e fazem com que as pessoas tenham muito mais interesse em fazer as reservas. Esse é um grande diferencial competitivo, pois na grande maioria dos sites parecidos com o Airbnb são os próprios usuários que tiram as fotos e dessa forma as fotos não ficam tão boas quanto a deles.

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  • Garantir a segurança de quem aluga o seu local. Eles tiveram um caso de roubo que teve uma grande repercussão e que, depois desse caso, eles tiveram que começar a oferecer um seguro de até 50 mil dólares;
  • Expandir a base de fotógrafos para outras regiões e países em que eles passaram a atua;
  • Realizar as transações internacionais ao menor custo possível;
  • Se adequar as legislações locais dos países em que atua;

#FicaaDica: Como a sua startup pode se diferenciar da concorrência e ao mesmo tempo gerar valor? A ideia de usar fotógrafos profissionais para tirar as fotos dos lugares criou um grande diferencial para o Airbnb e que aumento a credibilidade e a qualidade do serviço deles.

Modelo de Negócios – Hotmart

Modelo de Negócios – Hotmart

O mercado de conteúdo digital já é uma realidade a algum tempo. Atualmente muitas pessoas vendem livros, screencast, cursos, imagens e até acesso a sites com conteúdos diversos. Porém, apesar de existir um mercado enorme, ele é extremamente fragmentado e difícil de se obter sucesso.

Imagine que eu resolva pegar o conteúdo desse blog e escreva um livro, de certa forma isso só dependerá da minha capacidade de escrever algo interessante, porém seria muito difícil vender esse meu livro, mesmo com um bom conteúdo, afinal de contas eu teria como canal de distribuição apenas através do meu blog e redes socias. Já falamos de uma possibilidade para ajudar na publicação e venda de livros online, a Bookess, entretanto ela não serve para outros tipos de conteúdo.

Para solucionar esse problema, João Resende e Mateus Bicalho se inspiraram num startup americana chamada Clickbank e resolveram criar um marketplace onde as pessoas pudessem vender seus contéudos digitais, dessa forma surgiu o Hotmart.

A Hotmart atuou durante alguns meses em modo beta fechado para que pudessem testar o mercado brasileiro, receber feedbacks, ter insights, validar o modelo de negócios e, finalmente, ganhar tração. E, em abril de 2011, o site foi aberto ao público.

O modelo de negócios dela funciona como um marketplace junto com um programa de afiliados, ou seja, os produtores de conteúdo digital colocam seus produtos à venda no site onde clientes podem se interessar por eles. Porém o grande diferencial é o programa de afiliados, onde qualquer pessoa pode se cadastrar para vender os produtos da Hotmart para ganharem uma comissão determinada pelos próprios produtores, sendo possível dar comissões de até 80% do valor do produto, visto que são produtos digitais.

Dessa forma eles solucionam o grande problema de distribuição de conteúdo digital por criar 2 importantes canais de distribuição: Um site centralizador de conteúdo digital e uma força de venda descentralizada que é formada através do programa de afiliados.

A fonte de receita deles vêem de uma comissão de 1 real + 9,9% do valor do produto vendido, esse valor fixo de 1 real deve ser para cobrir o custo fixo da transação online e evitar que eles tenham perda caso o valor do produto seja muito pequeno.

Um sinal de que eles estão num mercado promissor e com um produto interessante é o fato deles terem ganhado o Desafio Buscapé 2011, onde eles ganharam como sócio o Buscapé, recebendo 300 mil reais por 30% da Hotmart.

Abaixo segue o modelo canvas deles:

Um grande risco para esse modelo é a pirataria digital, infelizmente não tenho informação sobre como eles lidam com isso, mas parece que isso fica por conta dos próprios produtores de conteúdo digital.
Dessa forma, existe espaço para um serviço da Hotmart contra a pirataria, algo como um gerador de senha ou criptografia, é apenas uma sugestão, visto que não sou a melhor pessoa para falar disso.
Ou mesmo outros serviços agregados para facilitar e profissionalizar o desenvolvimento de conteúdo.
De qualquer forma, eles possuem uma proposta bem interessante e com um bom modelo de negócios para suportar essa proposta.
Espero ouvir mais boas notícias deles em breve.
#FicaaDica: Uma boa forma de monetizar sua base de clientes depois de conseguir solucionar o grande problema deles é oferecendo serviços complementares ao seu produto que facilitam a vida dele. O WordPress oferece um serviço que é de hospedagem do blog, como eu não tenho um servidor e não quero me preocupar com essas coisas, eu pago uma taxa para ele resolver esse problema por mim. Não é a fonte de renda principal dele, mas é um complemento que agrega valor para os clientes e que gera receita.

Modelo de Negócios – GetNinjas

Modelo de Negócios – GetNinjas

Uma startup brasileira que tem obtido uma boa visibilidade nos últimos meses foi a GetNinjas, provavelmente você já devem ter ouvido esse nome antes..

Essa startup foi fundada em setembro de 2011 pelos empreendedores Eduardo L’Hotelier e Diego Dias, com a inspiração do site americano Task Rabbit. Sendo que o Task Rabbit trabalha num sistema de leilão onde o cliente coloca a tarefa que quer e o usuários que fizer o menor lance leva o trabalho;

Já o GetNinjas é um marketplace de pequenos serviços, onde os usuários postam os serviços que eles realizam com um preço determinado e os clientes escolhem dentre os serviços aquele que o convir. O seu funcionamento é semelhante aos sites de freela e aos outros marketplaces de pequenos serviços como o Trampoo e o Beeqo, porém um diferencial deles é oferecer tantos serviços online como presencialmente.

Antes mesmo do lançamento do site, a Monashees Capital já tinha investido mais de 1 milhão de reais e pouco tempo depois recebeu mais um investimento do fundo Kaszek Ventures, que vê um potencial de transformar a GetNinjas num Mercado Livre de serviços.

O grande diferencial do GetNinjas é que ele preza pela comodidade e simplicidade, seu site é muito fácil e agradável de se usar, além do que estão desenvolvendo aplicativos móveis para tornar ainda mais cômodo a prestação e contratação de serviços.

A parte do pagamento muitas vezes é complicada e insegura, por isso eles tem uma parceria com a empresa de pagamentos digitais Moip, tornar assim a parte do pagamento bastante simples e segura.

O modelo de receitas é bastante simples, eles cobram dos profissionais que anunciam seus serviços 15% do valor cobrado, como a grande maioria dos marketplaces.

Uma outra fonte de receita poderá vir de anúncios em destaque, ou seja, permitir aos profissionais pagarem uma pequena taxa para terem seus anúncios mais visíveis, semelhante ao que o Mercado Livre já faz. Obviamente isso só fará sentido quando a base de anúncios for maior.

Abaixo segue o modelo canvas deles:

 

Atualmente existem mais de 3400 serviços anunciados na plataforma em pouco mais de 5 meses. O que não é nada mal!

Uma grande vantagens que eles tem é o apoio dos ex-executivos do Mercado Livre Hermán Kazah e Nicolas Szekas da Kaszek Ventures, que trazem toda a experiência de trabalho deles no Mercado Livre para auxiliar o GetNinjas a crescer.
#FicaaDica: Quando for receber investimento de um fundo de Venture Capital ou de um anjo, não pense apenas no dinheiro, pense no que ele pode oferecer de experiência, networking e visibilidade. Busque sempre o SmartMoney, pois apenas em raros casos apenas o dinheiro é suficiente.