Será que seu negócio é mesmo uma startup?

Será que seu negócio é mesmo uma startup?

Estamos passando ultimamente por uma febre de empreendedorismo, sobre tudo de startups (eu sou até pop agora por trabalhar com startups). =)

Porém a palavra “startup” virou uma buzzword e, como toda buzzword, tem sido muito mal utilizada. Praticamente todo novo negócio agora é uma startup.

Eu participei de um curso de empreendedorismo recentemente e era engraçado ver quase todo mundo falando que estava fazendo uma startup, aí perguntava o que a startup fazia e me respondiam:

“É uma startup de venda de porta em porta de utensílios domésticos”.

Nada contra esse negócios (alías, era um empreendedor bastante experiente e um business que parecia interessante), entretanto, contudo e todavia, ele NÃO é uma startup.

Segundo a definição do guru Steve Blank:

“Startup é uma organização temporária projetada para buscar por um modelo de negócios escalável e repetível que atua num ambiente de extrema incerteza”

Considerando que essa é a definição de uma startup mais utilizada, temos algumas implicações:

1. Organição temporária: Não, o Google e o Facebook não são mais uma startup (apesar de possuirem uma cultura de startup);

2. Modelo de negócios escalável: Não, seu cabeleleiro ou sua software house não são escaláveis;

3. Repetível: Não, escrever e vender um livro online também não é uma startup;

4. Ambiente de extrema incerteza: Isso mesmo, precisa ser algo inovador de alguma forma, seja no produto ou no modelo de negócios;

Mas porque eu estou sendo chato quanto a definição e não deixo esse pessoal feliz falando que tem uma startup? Não, não é porque eu sou ruim ou porque acho que esse tipo de negócio não é bom o suficiente para ser uma startup (tenho certeza que alguns serão mais sucedidos do que muitas startups).

É pelo simples fato de gerar uma confusão e poder atrapalhar o empreendedor. Apenas para ilustrar o que quero dizer:

  • A maioria das metodologias utilizadas para startups, foram desenvolvidas para STARTUPS (incrível, não!?). Dessa forma, podem não ser úteis para esses outros negócios ou até mesmo atrapalhar;
  • Cria a falsa ilusão de que se eles são startups, eles podem ser acelerados por uma aceleradora ou receber investimento de um VC, mas, acredite, eles não irão investir em você se você não consegue dar 10x de retorno para eles em poucos anos, então você precisa crescer rápido, ou seja, ser escalável;
  • Param de focar no que realmente importa para o negócio deles e buscam o que é importante para uma startup;
  • Esquecem de fazer um plano de negócios (não recomendo para startups, porém se você for abrir um restaurante se um plano de negócios… Boa sorte!);
Esses são apenas alguns problemas que essa confusão pode trazer para o empreendedor. Mas, como um amigo meu me falou: “Startup é a nova banda de rock, é cool e todo mundo quer ter uma”. Está na moda, contudo, poucos sabem o quão difícil é realmente ter uma startup.

Bom, espero que tenha ficado mais claro para você se seu negócio é uma startup ou não e, caso não seja, porque não é bom você ficar tratando ele como uma startup.

Curso Online do Steve Blank

Curso Online do Steve Blank

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Steve Blank, como todo empreendedor deveria saber, é o grande guru de startups e o grande professor sobre o assunto. Ele é um empreendedor serial que já teve falhas e sucesso e que decidiu ajudar os empreendedores ensinando o que ele aprendeu ao longo desses anos.

Ele que desenvolveu a metodologia do Customer Development e ele está bastante envolvido tanto com o movimento do Lean Startup como o do Business Model Generation, ele já escreveu dois livros o The 4 Steps to Epiphany e o Startup Owner’s Manual, livros bem interessantes para quem quer começar uma startup. O primeiro livro, é uma leitura bem pesada e cansarivo, eu conheço poucos empreendedores que realmente leram ele inteiro, já o segundo é como se fosse um livro de referência para você utilizá-lo quando encontrar alguma dificuldade ou tiver algum dúvida.

Resumindo, Steve Blank é o cara de ensino de empreendedorismo para startups no mundo e ele colocou uma aula disponível gratuitamente no Udacity para que todos os empreendedores do mundo tivessem acesso aos cursos que ele dá.

Conheça o blog dele (http://steveblank.com/) e a apresentação que fiz sobre o Manifesto ao Desenvolvimento de Cliente que ele publico (https://startupbizmodel.com/2012/04/06/manifesto-do-desenvolvimento-de-clientes/)

As aulas são bem interessantes, começando do básico e indo até coisas mais interessantes, veja um pouco sobre o que ele ensina:

  • O que é uma startup
  • Diferenças entre startup e empresas grandes
  • Diferenças entre empreendedores e executivos
  • O que é um modelo de negócios
  • Modelo Canvas
  • Customer development
  • Lean startup
  • Estimar mercado

Entre diversas outras coisas. Eu recomendo fortemente que vocês assistam a essas aulas pois elas realmente valem a pena.

Os videos são curtos com um formato diferenciado e bem didáticos, além disso tem quiz entre as aulas para saber se você realmente aprendeu o conteúdo.

Veja a introdução das aulas:

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Assista agora mesmo as aulas: https://www.udacity.com/course/ep245

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Espero que vejam e aproveitem.

#FicaaDica

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Lean Startup Machine II

Lean Startup Machine II

 

Quando eu estava no Vale do Silício no começo do ano passado, havia um evento que eu queria muito ter ido e não consegui que é o Lean Startup Machine. Mais tarde eu pude não apenar participar traduzindo o Manual do Workshop como participando para conhecer melhor a metodologia que eles inventaram.

Eu fiquei bastante surpreso com o resultado, a metodologia é muito interessante e eu costumo usar nas minhas consultorias de startup e recomendo bastante.

A metodologia do Lean Startup Machine é uma mistura do Lean Startup do Eric Ries com o Customer Development do Steve Blank, porém num formato estilo Canvas do Alexander Osterwalder.

O workshop lembra um pouco o estilo do Startup Weekend com a duração de quase 54h e sendo totalmente mão na massa, durante esse período os participantes vão definir projetos para trabalhar, definir as hipóteses mais arriscadas e GET OUT OF THE BUILDING (sair do prédio) para sair da teoria e validá-las no mercado.

Se você tem uma ideia ou está já com um projeto, porém ainda não validou com o mercado, antes de investir tempo e dinheiro e ter a possibilidade de descobrir que ninguém quer o seu produto, participe do Lean Startup Machine e valide suas hipóteses com o mercado. É bom ir com muita disposição e vontade de fazer acontecer, pois o workshop é puxado e o resultado esperado é que você não apenas consiga validar suas hipóteses mais arriscadas, mas consiga fazer vendas efetivamente!

Quem está organizando o evento é o pessoal do SuperNovaLabs e eu serei um dos mentores do workshop, junto com um pessoal muito bom que você pode conferir na página do workshop, e espero poder encontrar você por lá. Interessados, segue abaixo mais informações sobre o evento:

 

Lean Startup Machine São Paulo - Modelo de negócios, eric ries, steve blank, customer development, canvas

SITE: https://leanstartupmachine.com/events/sao-paulo-february-1st-3rd/

LOCAL: Plug’n’Work Telefonica Rua Martiniano de Carvalho, 851 – Bela Vista – São Paulo/SP

DIAS: 01-03  de Fevereiro

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Inscreva-se já, pois os ingressos já estão acabando!

 

Qual a semelhança entre fazer uma Festa e uma Startup?

Qual a semelhança entre fazer uma Festa e uma Startup?

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Nenhuma, certo?  Talvez fazer uma festa e uma startup não seja tão diferentes assim quanto você imagina!

Não se preocupe, eu vou explicar, mas primeiro eu gostaria de propor um exercício um pouco diferente.

Imagine que seus pais (se você não mora mais com os pais, imagine na época que morava) viajaram no feriado e você quer fazer uma festa sensacional, daquelas que os vizinhos não vão esquecer tão cedo.

Como você faria isso?

Você listaria os seus amigos que você gostaria que fossem, imaginaria que apenas um percentual deles iria para a festa, decidiria o dia e horário da festa e compraria bebida baseado no número estimado anteriormente, depois só esperar o pessoal esperar o dia  com a bebida preparada pelos seus amigos, certo?

Errado, provavelmente você não faria uma festa assim, porque você correria um grande risco de não ir ninguém na festa e você ter um prejuízo. Afinal de contas, seus amigos podem estar viajando, ou simplesmente ninguém estar afim de ir numa festa nesse feriado? Ou mesmo acontecer uma outra festa no mesmo horário da sua que você não sabia.

Você não faria isso numa festa, mas é interessante que é exatamente assim que muitos empreendedores fazem suas startups.

Você deve estar se perguntando, COMO ASSIM? Calma, eu explico.

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  • Esses empreendedores fazem um estudo de mercado baseado apenas em dados, da mesma forma que a lista de amigos que eu falei;
  • Assumem que vão ter um determinado número de clientes, igual a assumir que um determinado número de amigos vai para a festa;
  • Definem o produto sem saber o que exatamente os clientes querem, da mesma forma que definir o dia e horário da festa sem perguntar se os amigos poderiam ir;
  • Investem tempo e dinheiro na startup sem ter uma validação do mercado, assim como o nosso festeiro de plantão compraria bebida assumindo que o número de amigos que ele definiu estava certo, sem antes ter nenhuma confirmação;

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Perceberam como isso pode dar (e muitas vezes dá) errado? Então qual seria uma abordagem melhor para esse problema?

Uma forma menos arriscada seria de conversar primeiro com amigos mais próximos para ver se eles poderiam ir para a festa e dar sugestões sobre o dia, horário, quem chamar e mesmo outras coisas que você ainda não tinha pensado.

Assim você consegue definir melhor os detalhes da sua festa (produto) baseado no que os seus amigos (clientes) querem e ainda consegue saber se realmente vai ter quórum para sua festa (mercado), além disso, você consegue ter uma validação antes de gastar toda a sua mesada comprando bebida (investir muito dinheiro e tempo).

Seguindo esses passos, eu tenho certeza sua festa (startup) terá muito mais chances de ser um sucesso e que seus amigos, e vizinhos, se lembrem dela por um longo tempo

Essa metodologia é conhecida no mundo das startups como customer development e foi desenvolvida pelo grande guru das startups Steve Blank no livro The 4 Steps to Epiphany (review na sessão de livros recomendados).

Espero que esse post te motive a utilizar o customer development como uma ferramenta para te ajudar a realmente criar uma startup que tenha um produto/serviço que os clientes queiram.

Se quiser uma consultoria para aplicar os conceitos de customer development, envie um email para StartupBizModel@gmail.com

Segue um outro post meu sobre ferramentas para validação: “Hora de Colocar o Plano em Prática… Será Mesmo”.

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Citação – Steve Blank

Citação – Steve Blank

Essa é a definição de startup que o Steve Blank, guru de empreendedorismo e autor de livros importantes como The Four Steps to Epiphany, usa. Segundo a sua definição, fica evidente que o mais importante para uma startup não é buscar o crescimento rápido e desenfreado e, sim, fazer testes até encontrar um modelo de negócios que possa ser repetido e escalado, depois dessa etapa o objetivo da startup é crescer para se tornar uma grande empresa.

Vale a pena dar uma lida no Manifesto do Desenvolvimento de Clientes que ele ele fez para conhecer os princípios que prega, clique aqui.

Manifesto do Desenvolvimento de Clientes

Manifesto do Desenvolvimento de Clientes

É provável que vocês tenham ouvido nessa última semana do The Customer Development Manifesto que os Steve Blank escreveu, ele é basicamente um resumo dos principais conceitos do Desenvolvimento de Clientes, fazendo com que seja mais simples e fácil guardá-los.

De qualquer forma, ele saiu em inglês e muitas pessoas não entendem completamente o inglês, dessa forma eu resolvi traduzir e fazer uma apresentação.

Espero que seja útil para vocês.

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Também aproveitei e fiz uma apresentação com o original em inglês, segue o link para o Slideshare aqui:

http://www.slideshare.net/ThiagoPaiva/customer-development-manifesto-by-steve-blank