Case – ContaAzul

Case – ContaAzul

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Nota do editor: Este artigo é de autoria de João Augusto Zaratine, CMO do sistema de gestão de empresas online ContaAzul  e convidado para nos contar um pouco sobre o modelo de negócios de sua startup.

Nossa história começou na Informant, empresa de desenvolvimento de software localizada em Joinville, quando criamos uma solução interna para gerenciar nossas próprias financias. O Software funcionou resolveu nossos problemas muito bem e o batizamos o sistema de Ágil ERP. Com o nosso Minimum Viable Product (MVP), ) começamos o trabalho de vendas sempre atentos ao feedback dos nossos clientes para evoluir o produto.

De olho em um grande player no mercado americano, o Quickbooks, percebemos que o Agil ERP poderia ser muito maior do que qualquer software que já entregamos para um cliente na Informant. Atualmente cerca de 80% das empresas americanas usam o Quickbooks, e em 2011 seu faturamento chegou na casa de 4 bilhões de dólares. Vimos que o mercado brasileiro era muito favorável para um sistema como esse pois, segundo uma pesquisa do Sebrae de 2008, 86% das micro e pequenas empresas no Brasil utilizavam papel e caneta para gerenciar suas finanças.

As oportunidades eram enormes, e estávamos com muita energia pra fazer tudo acontecer, para viver o famoso “startup dream”, mas com nosso MVP no ar vimos que precisávamos muito mais do que um sistema online que fazia o mínimo pelas empresas.  Mais do que investimento, naquele ponto precisávamos de mentoria de pessoas com experiência maior que a nossa.

Neste ponto conhecemos a Bedy Yang, em um dos eventos do BR New Tech. Dois meses depois embarcávamos para o Vale do Silício para sermos acelerados pela 500 startups. Ali aprendemos que trazer um modelo de negócios de sucesso nos Estados Unidos para o Brasil é muito mais desafiador do que se pensa, o usuário brasileiro ainda olha a internet com muita desconfiança, ele precisa de suporte e apoio o tempo todo. Ter um canal de suporte por telefone ajuda muito na retenção e no relacionamento com os clientes, eles se sentem muito mais à vontade quando têm alguém do outro lado para conversar e ouvir a voz.

O usuário brasileiro também precisa de uma interface muito mais intuitva e explicativa. Ter um time de User Experience dentro da empresa pode fazer toda a diferença e as empresas brasileiras estão começando a se abrir para isso. Nos Estados Unidos a boa usabilidade é lei e chega até a ser o diferencial competitivo de algumas startups.

Para maximizar a proposta de valor do nosso modelo de negócios trocamos todo o conceito da empresa. O Agil ERP passou a se chamar ContaAzul, e começamos a trabalhar este conceito da tranquilidade e segurança, que só uma conta com saldo positivo pode gerar, em todos nossos nossos canais de contato com o cliente. Não basta ter um modelo inovador para gerar receita ou um grande mercado para crescer.

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Conta azul - Modelo de Negócios - WorkHard & Be Nice to People

Nosso maior aprendizado é que a experiência dos nossos clientes com o nosso suporte, com a nossa marca e com o nosso sistema é o que vai nos diferenciar dos concorrentes e nos fazer ganhar mercado.

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Modelo de Negócios – Dabee

Modelo de Negócios – Dabee

Desde que cheguei no Vale do Silício eu não fiz nenhum post de modelo de negócios novo, por isso eu resolvi tirar um tempo para escrever sobre uma startup de brasileiros que está aqui no Vale do Silício.

Logo no começo da minha viagem eu conheci a Adriana que trabalha na Dabee, ela foi bem legal comigo e me convidou para ir visitar a Dabee um dia e conhecer os fundadores.

A Dabee foi fundada por três empreendedores, dois brasileiros: Gui Bastos (CEO) e Helcio Nobre (COO), e um indiano: Abhijit Das (CTO). O Gui e o Abhijit trabalhavam para o eBay e o Helcio para o PayPal, então eles possuem uma boa experiência de e-commerce e transações online e internacional

A startup ainda é nova, foi fundada em 2011, e está na aceleradora Plug & Play Tech Center, uma das maiores do mundo. Nesse ponto você deve está se perguntando o que a Dabee faz, ela faz a exportação de produtos dos EUA que não existem em outros países ou que ainda não chegaram, o que é uma oportunidade de mercado bem interessante.

Imagine que você está no Brasil e quer comprar um Novo iPad agora, a menos que você tenha algum conhecido que vá viajar para trazer para vocês, você não conseguirá comprar até a Apple lançar no Brasil, o que pode levar alguns meses. Ou você pode usar a Dabee para comprar.

Outro segmento de cliente são o de pessoas que procuram produtos especializados ou profissionais que não existem no Brasil ou são muito caros. Se você é um alpista profissional, é bem difícil e caro de achar material profissional para a sua escalada, dessa forma você pode usar a Dabee e receber no Brasil sem nenhum problema.

Mas como ela funciona? Ela possui uma base de produtos (que você pode pedir para adicionar mais) que eles compram aqui nos EUA e enviam para o país desejado pagando todos os impostos e custos de transporte de uma maneira simples e fácil. É importante notar que muitas empresas aqui não enviam para outros países e é nesse ponto que a Dabee entra.

O modelo de receita deles é bem simples, eles cobram uma taxa pelo serviço de compra e envio para o país e seu modelo é escalável visto que eles usam centros de distribuição terceirizados e o transporte é feito por companhias de logística.

Abaixo segue o modelo canvas da Dabee:

Acredito que o risco principal é o de manchar a reputação, porque a Dabee faz envio de produtos internacionalmente o que é bem sensível a reputação, por isso é muito importante ter uma boa reputação devido a distância e dificuldade de se resolver um problema caso a pessoa venha a ter.

Eu gostei bastante do modelo de negócio deles e atualmente eles estão focando bastante no Brasil, o que possui um potencial enorme. Claro que a entrada da Amazon no mercado brasileiro posso semestre e pode complicar um pouco a vida deles, porém é possível que não atrapalhe muito devido ao segmento de mercado alvo deles, onde eles buscam atender a calda longa do mercado.
De toda forma, eu torço pelo sucesso deles e é um bom exemplo de startup de brasileiros formada aqui no Vale do Silício.
#FicaaDica: O mercado de calda longa, descrito no livro A Calda Longa, do Chris Anderson, é um mercado muito grande e que pode render bons negócios, basicamente ele fala que com a internet existe um grande mercado de nichos que agora podem ser atingidos e que ele é extremamente rentável. Se você não conhece o conceito, vale a pena ler esse livro pois ele mudou o jeito que as pessoas vem o mercado.